Ter que enfrentar júris durante apresentações públicas é perfeitamente normal, e atualmente acontece quase sempre. O nosso entendimento de júri presupõe uma posterior avaliação, ou seja, esse júri detém os avaliadores: sejam professores universitários ou do âmbito académico no geral, ou até possíveis recrutadores.
        No entanto, nem sempre consideramos que estamos perante um júri quando não temos aquele conjunto de pessoas destinadas a fazer aquele trabalho no evento ou na apresentação pública em questão. Se pararmos para pensar, estamos sempre a ser avaliados, com júri definido ou não. Quando fazemos public speaking, e por isso a importância do training nesta área, estamos sempre a ser analisados e observados.

A forma como atuamos na fase de perguntas e respostas tem o poder de elevar a nossa performance de public speaking ou de desmorná-la.

O conceito de júri para a maior parte das pessoas tem inerente um peso e uma seriedade que nos provocam algum nervosismo, principalmente quando estamos a ser avaliados em termos práticos, seja para um projeto final de mestrado, uma dissertação ou uma entrevista com os media.
O júri é um conjunto de pessoas que avaliam uma causa, uma prestação ou um mérito. Quando fazemos uma apresentação pública temos de nos lembrar de uma coisa muito importante: o nosso público é o nosso júri, e o mais exigente deles.
No final de uma apresentação de public speaking, abre-se espaço a debate e/ou fase de perguntas. Aqui é onde o medo se apodera caso não tenhamos controle de emoções nem confiança para este momento.
Chegando ao final do discurso, surjem as perguntas que devemos responder eficazmente e com confiança. Esta fase de interação entre o público e o orador é de extrema importância pois pode salvar a qualidade de uma apresentação mediana ou descredibilizar um discurso que até então tenha corrido de forma quase perfeita.

 

Devemos sempre manter o foco na pergunta feita para não fugirmos dela nem inconscientemente desviarmos o tema.

 

Considero excelente que surjam perguntas, pois elas prevêm que o público esteve atento à nossa apresentação e como tal, vão surgindo dúvidas. Desde pequenos que ouvimos dizer que quando não temos dúvidas é porque não estudamos, ou seja, a nossa audiência apresentar-nos questões demonstra interesse e foco.
Aproveitando esta interação, devemos tentar retirar ainda mais pontos nesta fase. Ao estarmos abertos ás perguntas recebidas, temos a oportunidade de:

  • Aplicar as nossas técnicas de public speaking;
  • Demonstrar que conseguimos ampliar o nosso conhecimento e ajustá-lo às questões surgidas;
  • Mostrar a nossa capacidade de adaptação e pensamento rápido;
  • Mostrar como agimos sobre pressão;
  • Melhorar o nosso desempenho demonstrando domínio do tema;

Responder eficazmente a perguntas no final de um grande discurso pode ser visto como parte importante do sucesso da prestação pelo todo. Não teríamos sucesso total se não mostrássemos uma imagem confiante ao interagir com os nossos jurís quando nos confrontam com perguntas. Nesta fase também é possível verificar se a mensagem que passamos seja com comunicação verbal ou comunicação não verbal realmente vai de encontro aquilo que o público captou.

Em public speaking o nosso foco deve ser a audiência e devemos manter uma boa atitude e interação ao longo de todo o nosso discurso.

O tipo de pergunta que pode surgir é vasto e exclusivo da natureza da apresentação em si e até mesmo do público abrangido. Podemos encontrar plateias extremamente interativas e que querem participar e expôr dúvidas ou outras mais recatadas.
Muitas vezes podemos ter de lidar com um público, ou uma pessoa em específico que pretende superiorizar-me ou igualmente inferiorizar-nos. Seja qual for a situação o importante é mantermos a postura e respondermos exatamente da mesma forma que a outra questão qualquer.

 

 

 Ténicas para obter sucesso na fase de perguntas e respostas


         Existem várias técnicas que podemos e devemos aplicar em situações de perguntas e respostas, elas ajudar-nos-ão a orientarmo-nos melhor durante esta fase. Inicialmente considero ideal que demonstremos uma postura aberta à receção das perguntas, nem sempre o público interage muito ou por vezes até o faz mas custa para alguém se oferecer a começar. Nesta situação devemos intervir colocando perguntas abertas tais como: ”Quem vai ser o primeiro a falar?” ou ”Vamos lá ver o mais corajoso”. Trocarmos a pergunta ”Mais alguma questão?” por ”Próxima questão” também demonstra que estamos perfeitamente tranquilos com as eventuais questões que nos possam colocar.

 

 

 

No final do discurso, na fase de perguntas e respostas devemos sempre certificar-nos que entendemos bem a pergunta colocada, de modo a não respondermos de forma errada.

 

Pontos-chave que irão determinar o sucesso da parte final da nossa apresentação

 

Prestar atenção à pergunta
Devemos certificar-nos que entendemos bem a pergunta de forma a não respondermos algo completamente desadequado.

 

Receção da pergunta
Esperar alguns segundos antes de responder, ou seja, ponderar a questão e pensar um pouco antes de debitar. – Este compasso de tempo demonstra que realmente estamos a absorver a pergunta. Nesta fase podemos usar algumas key phrases para ganharmos tempo tais como “Essa é realmente uma pergunta muito interessante”; “Obrigado por destacar esse ponto importante”.
Pelo contrário uma resposta imediatamente despejada nem nos dá tempo de estruturarmos os nossos pensamentos e para piorar faz parecer que estamos a querer fugir da questão .

 

Comunicação não verbal
Ter atenção à nossa comunicação não verbal – manter a postura e evitar movimentos que denuciem insegurança, stress ou ansiedade. Tais como: roer as unhas, pôr a mão na boca, bater o pé, movimentar-nos muito rápido, entre outros.

 

Suporte físico
Recorrermos caso necessário a algum suporte que tenhamos – Se uma pessoa do público referir um slide em específico da nossa apresentação ou um gráfico, podemos voltar atrás e mostrar novamente até apoiando-nos nesse suporte para sustentar a nossa resposta.

 


Abertura ao público
Como referi anteriormente para a fase inicial de perguntas, também ao longo dela devemos manter as perguntas abertas (cuja resposta não possa ser sim/não/talvez). Dando preferência a perguntas que exijam uma resposta tais como: ”Quem mais tem uma dúvida?” em substituição de ”Mais alguém tem dúvidas?”.
Depois da nossa resposta, agradecemos ao membro da audiência / jurí pela pergunta e seguimos com uma frase curta dizendo algo como “Espero que eu tenha deixado esse ponto mais claro para si”. Ao fazermos isto, estamos de certa forma a retribuir aos indivíduos o esforço para nos formularem uma pergunta e intervir ativamente durante o nosso momento no palco.

 

 

Recetividade interpessoal
Mostrar à pessoa que acabou de fazer a pergunta que estamos a manter o contato visual constante com ela. Se as pessoas têm interesse em fazer certas perguntas depois do nosso discurso, isso significa que elas realmente valorizam sentir-se ouvidas e se não lhes dermos em troca um contato visual com confiança, corremos o risco de dar a ideia de que estamos a evitar enfrentá-los. Isto pode, em última instancia, afetar o nosso desempenho geral.

 

Manter o contato visual com a nossa audiência é crucial ao longo de todo o public speaking essencialmente nesta fase.

 

Às vezes, somos confrontados com públicos que não criam nenhuma conexão conosco, enquanto que com outros temos imediatamente uma receção calorosa que ajuda a lidar com o stress potencial do momento. Não importa a impressão que tenhamos de quem nos estiver a julgar, manter um sorriso é essencial enquanto respondemos às perguntas que nos vão surgindo!
A atitude que mantemos nesta fase deve ser de aproximação com o público, de cuidado e acima de tudo de receptividade. Estes pontos irão ajudar a que os nossos medos em relação ao public speaking se dissipem e consigamos nesta fase melhorar ainda mais a nossa apresentação anterior.

 

 

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